Regresso a Cannes para Il Gattopardo de Luchino Visconti. Galardoado com a Palma de Ouro em 1963, este filme deu origem a uma cópia restaurada* que será difundida hoje, às 18h15, na sala Debussy, em formato numérico com um trabalho sobre o som.
Este filme, uma adaptação do romance com o mesmo nome de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, retraça o declínio da aristocracia italiana através do lúcido e clarividente príncipe de Salina (Burt Lancaster). Aceitando um casamento desigual, casa o seu filho Tancrède (Alain Delon) com Angelica (Claudia Cardinale), filha do presidente da câmara, avarento e novo-rico, símbolo da burguesia em ascensão.
Símbolo desta luta de classes: a cena do baile, cena central, quarenta e cinco minutos para uma concentração de paradoxos. Um ambiente faustoso e leve dissimula a decadência de toda uma elite. Para o príncipe Salina, ela é sinónimo de velhice e de medo da morte. Atrás dos risos e dos sorrisos, adivinha-se o pavor e o naufrágio, denotados pelas conversas e pelo calor abafado da noite. Sendo a cena mais longa do filme, ela necessitou de quarenta noites de rodagem no palácio de Gangi em Palermo, no calor siciliano. Foi mesmo preciso montar velas à base de ácidos gordos para evitar que estas queimassem demasiado rápido.
TK
* Versão restaurada para a Cinemateca de Bolonha, o laboratório Immagine Ritrovata, a Film Foundation, Pathé, a Twentieth Century Fox e o Centro Sperimentale di Cinematografica – Cinetteca nazionalequi.




























