Rachid Bouchareb regressa a Cannes com Hors-la-loi, continuação de Indigènes, em Competição em 2006. O cineasta franco-argelino já tinha estado em 2008, como membro do Júri de longas-metragens, ao lado de Apichatpong Weerasethakul, que como ele concorre este ano para a Palma de ouro.
Hors-la-Loi apresenta-se um pouco como o seguimento de Indigènes, apresentado em Competição no Festival de Cannes em 2006. Não uma continuação dramatúrgica, mas sim uma continuação histórica ou melhor dizendo uma recoloção no contexto. Indigènes era dedicado aos atiradores africanos e magrebinos, que combateram para a França, durante a segunda guerra mundial. Hors-la-loi conta a história de três irmão argelinos, no meio dos anos 30 até à independência da Argélia em 1962. Enquanto Messaoud (Roschdy Zem) alista-se para a guerra da Indochina, Abdelkader (Sami Bouajila) chefia o movimento para a Independência da Argélia em França, e Said (Jamel Debbouze) faz fortuna nas espeluncas e nos clubes de boxe de Paris. O destino de cada um, selado à volta do amor de uma mãe, mistura-se inexoravelmente ao de uma nação em luta para a sua liberdade.
Indigènes tinha valido aos seus cinco intérpretes masculinos (Bernard Blancan, Sami Bouajila, Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem) um prémio de interpretação colectiva em 2006. Exceptuando Samy Naceri, encontremos estes mesmos actores em Hors-la-loi.
Antes mesmo da sua exibição, Hors-la-loi, que concorre para a Palma de Ouro com a bandeira da Argélia, suscitou a polémica. Exprimindo-se pela primeira vez sobre o assunto, o realizador franco-algelino Rachid Bouchareb mandou uma carta ao Festival de Cannes, no dia 13 Maio, para apelar à calme na passada Quinta-feira. Sublinhando a sua afeição à liberdade de expressão, pediu para que o debate público se organiza após as exibições do filme.
BM




























