A conferência de imprensa do filme Long Boonmee Raluek Chat de Apichatpong Weerasethakul desenrolou-se esta tarde. O realizador respondeu às perguntas dos jornalistas acompanhado da actriz Wallapa Mongkolprasert e dos produtores Simon Field, Keith Griffiths, Charles de Meaux et Luis Miñarro. Trechos.
Sobre as origens do projecto
Apichatpong Weerasethakul: Cresci no nordeste da Tailândia, mas nunca o mencionara nos meus filmes. O meu objectivo era evocar essas recordações e mostrar as paisagens do local onde cresci. Tinha esta história na mente e tinha de a fazer sair.
Sobre os fantasmas no Oriente
Apichatpong Weerasethakul: Todos os tailandeses cresceram com esta ideia de transferência das almas entre os animais, a natureza e os homens. E mesmo na nossa época, muitos tailandeses ainda acreditam em fantasmas. Queria agarrar nesta fantasia da infância e ligá-la à morte.
Sobre a representação dos fantasmas no filme
Apichatpong Weerasethakul: Inspirei-me nas séries de televisão e nas bandas desenhadas da minha infância. Lembrei-me também de um amigo que me contou que a casa dele estava assombrada com fantasmas de olhos vermelhos. Ficou-me essa imagem.
A situação na Tailândia
Apichatpong Weerasethakul: Quase não podia vir cá porque o meu passaporte estava na baixa da cidade e era demasiado perigoso lá ir buscá-lo, então deram-me um passaporte especial. Antes de me vir embora, conseguia ver o fumo a subir nas ruas. Tinha a impressão de estar num filme, é muito triste. É a situação mais extrema e violenta da nossa história. Acho que tinha de acontecer, há um grande desfasamento entre os ricos e os pobres… Espero que esses eventos acabem por unir o país. Mas o pior é que não se pode fazer filmes de tudo isso porque seria proibido pela censura. Bloqueiam todos os filmes que “ameaçam a segurança da nação”, mas colocam esse rótulo a qualquer coisa.
GF


























