Le Havre mergulha-nos no universo louco, ao mesmo tempo desesperado e caloroso, do cineasta finlandês. É a segunda vez que Aki Kaurismäki filma em França, depois de La Vie de Bohème. Vencedor do Grand Prix por l’Homme sans passé, concorre pela quarta vez para a Palme d'or.
Um filme de Aki Kaurismäki é sempre a garantia de um pouco de fantasia. Em Le Havre, encontramos Marcel Marx (André Wilms), a personagem de La Vie de Bohème (1991). Está exilado no Havre, onde abandonou definitivamente as suas ambições literárias. Vive tranquilamente entre a mulher Arletty, o café da esquina e a profissão de engraxador de sapatos, até que o seu caminho se cruza com um jovem africano sem papéis.
A problemática dos refugiados já estava presente em La Vie de Bohème com a expulsão da personagem de Rodolfo, o pintor albanês. Por trás do humor negro e por vezes do cinismo, Aki Kaurismäki é um cineasta profundamente humanista cuja obra é atravessada pela questão da dignidade.
O cineasta já trazia consigo há muito tempo a história de uma criança africana que procura asilo na Europa. Imaginara antes um porto da Espanha, da Grécia ou da Itália, mas depois de ter percorrido toda a costa de Génova à Holanda, foi no Havre que encontrou o que procurava: “blues, soul e rock’n roll”.
Como no cultíssimo Leningrad Cowboys go America (1989), o rock faz de facto parte da aventura. “O Havre é o Memphis francês e o Little Bob é o Elvis deste reino” – diz Aki Kaurismaki, cuja obra está tão impregnada de referências ao cinema. O seu grupo de actores fetiche inclui, aliás, Jean-Pierre Léaud, a quem se junta em Le Havre outra figura do cinema francês, Pierre Etaix. Quanto a Jean-Pierre Darroussin, recém-chegado à família, interpreta aqui o seu segundo filme na Selecção Oficial, depois de Les neiges du Kilimandjaro de Robert Guédiguian.
O filme será projectado terça-feira 17 de Maio, às 8h30, 13h30 e 22h20, no Grand théâtre Lumière.




























