Para a sua terceira participação no Festival de Cannes em Competição, a realizadora japonesa apresenta Hanezu No Tsuki, uma ode à Natureza, ao prazer de esperar e ao respeito das tradições ancestrais.
A Natureza sempre desempenhou um papel essencial nos filmes de Naomi Kawase: «o sofrimento das pessoas nas sociedades modernas está ligado à nossa incapacidade em admitir que somos apenas um elemento da Natureza. Nos meus filmes, pode-se dizer que o homem desempenha papéis secundários, dou à Natureza o papel principal».
A história passa-se na região de Asuka, berço do Japão. Antigamente, os seus habitantes enchiam as suas existências com a simples passagem do tempo – hoje, as gentes já não tem essa paciência. Hoje, Takumi e Kayoko vivem tentando prolongar as esperanças e os sonhos não saciados de seus avós. Eles transportam neles as narrações e o espírito dos séculos passados.
«Nos velhos tempos, as pessoas apreciavam o tempo e esperavam durante anos que os seus sonhos se realizassem. Por vezes, esperavam que as coisas amadurecessem, que alguém de importante os amasse reciprocamente ou que a sua família regressasse. E por vezes, continuavam a esperar apesar de saberem que já não servia para nada», conta a realizadora.
Numa época em que tudo vai muito depressa, em que a rapidez prima, Naomi Kawase evoca as virtudes da paciência e o facto que os nossos antepassados talvez tivessem um sentido mais aguçado das prioridades. Frequentemente, ela dá um lugar especial nas suas obras à intimidade e à sensibilidade dos personagens, a quem sabe conferir autenticidade. Desta vez, ela pediu aos actores para se integrarem durante um mês e meio no ambiente do sítio em que foi rodado o filme, para lhes dar um natural verdadeiro.
E.B.
O filmes será projectado às 17:00 no Grand Théâtre Lumière.




























