A Conferência de imprensa de Isto não é um filme (In Film Nist) desenrolou-se na presença de Mojtaba Mirtahmasb, co-realizador do filme com Jafar Panahi (que, proibido de sair do Irão, ouvia a conferência por Skype) e Serge Toubiana, director da Cinemateca Francesa.
Sobre o filme
Mojtaba Mirtahmasb: “Não podemos virar a câmara para a nossa sociedade, portanto viramo-la para nós mesmos. Não quisemos baixar os braços perante a situação, mas sim utilizá-la de forma útil. Decidimos então tomar a energia desta situação para fazermos algo dela”. Serge Toubiana: “É um filme sobre a encenação. A encenação é um processo mental. Um cineasta faz um filme na cabeça. Quando se está privado de cinema, pode-se na mesma sonhar com um filme e é o que nos diz este filme magnífico”.
A censura tem um rosto?
Serge Toubiana: “É uma pergunta muito importante. Na realidade, a sociedade iraniana é muito complexa. Durante muito tempo, o cinema foi associado à educação das crianças, sem consideração política. Hoje em dia, o cinema tornou-se num contra-poder. Frente a ele, há um ministro da cultura, um vice-ministro, um responsável pelo cinema. Mas por cima, há o poder da justiça e o da polícia e por cima ainda o poder religioso. Hoje em dia, há contradições e relações de força entre a política e a religião. Nós, Festival de Cannes, Cinemateca Francesa, SACD, não somos organizações políticas, mas sim organizações cinéfilas. Quando o poder iraniano diz que Jafar Panahi e Mohammad Rasoulof são cineastas anti-nacionais, respondemos que são cineastas que se interessam pela sociedade iraniana. Estamos do lado do cinema”.
Mojtaba Mirtahmasb: “Preferimos ser homens livres do que heróis prisioneiros.” Não somos combatentes políticos. Somos realizadores”.
Sur Jafar Panahi
Mojtaba Mirtahmasb: “Com este filme, a sua saída e a sua projecção em Cannes, e após vários anos sem ter feito filmes, Jafar Panahi tem o moral no Zénite”.
Conversa recolhida por B. de M.
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